Saúde

Psicóloga fala sobre campanha do Setembro Amarelo e explica como Era Digital pode agravar doenças

14 de Setembro de 2020 às 11h29 - Por: Milena Ribeiro Foto: Divulgação
[Psicóloga fala sobre campanha do Setembro Amarelo e explica como Era Digital pode agravar doenças ]

Taxa de suicídio cresce 11,7% na Bahia

O mês de setembro se caracteriza por ser o mês da campanha contra o suicídio. Conhecido como Setembro Amarelo, a campanha objetiva prevenir contra doenças que levam ao ato, diminuindo assim o número de casos. Estando entre as principais causas de mortes no mundo, a taxa de suicídio no Brasil tem aumentado nos últimos anos. Na Bahia, em 2019, foram registrados 630 suicídios. O número representa um aumento de 11,7% em relação a 2018, conforme dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), divulgados na última quinta-feira (10).

Embora a campanha se estenda durante todo o mês, o dia 10 de setembro é tido como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Na quarta-feira (9), a Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito. E a cada 40 segundos uma pessoa se suicida, sendo que 79% dos casos se concentram em países de baixa e média renda. 

Ainda segundo a entidade, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio por ano - os números do relatório são referentes a 2016. No Brasil, foram registrados 13.467 casos, a grande maioria (10.203) entre homens, de acordo com a entidade. 

O suicídio está atrelado diretamente com outras doenças, como depressão e ansiedade, que vem sendo cada vez mais discutido na sociedade. Já tendo acometido diversas personalidades famosas, o assunto foi se tornando mais conhecido entre a população e já não é mais tido como tabu entre as pessoas. 

Embora existam mais casos de suicídio nos países de baixa renda, como aponta a pesquisa, vale ressaltar que os países ricos e as personalidades famosas não estão imunes desse mal. Muitos artistas conhecidos já acabaram cometendo o suicídio. Veja a lista com alguns famosos abaixo:

  • Marilyn Monroe: morreu aos 36 anos após uma overdose de barbitúricos, um composto químico do ácido barbitúrico. O departamento médico-legal de Los Angeles declarou o óbito como um "provável suicídio". A artista sofria de depressão. 

  • Alexander McQueen: o estilista suicidou-se em 2010, aos 40 anos, um dia antes do funeral da morte da sua mãe. O inquérito sobre sua morte concluiu que ele cometeu suicídio depois de consumir cocaína, tranquilizantes e pílulas para dormir. McQueen tinha um histórico de depressão, ansiedade e insônia e havia tentado se suicidar anteriormente.

  • Robbin Williams: ator morreu aos 63 anos e as autoridades consideraram como causa da morte asfixia por enforcamento. Em entrevistas, sua esposa Susan Schneider, disse que o ator lutava contra ansiedade e depressão, estava nos estágios iniciais doença de Parkinson, mas não cometeu suicídio por causa da depressão, mas sim por causa da Demência com corpos de Lewy (DCL). 

  • Heloísa Faissol: socialite que já havia participado do reality show “A Fazenda” foi encontrada morta em seu apartamento. Heloísa sofria de depressão e deixou uma carta de despedida.

  • Yasmin Gabrielle: ex-assistente mirim de Raul Gil, foi encontrada morta em 2019. Yasmin tinha 17 anos e familiares e amigos relataram que ela sofria com depressão.

Outros famosos também já declaram que sofreram depressão e chegaram até a contar sobre como atravessaram esse momento. Personalidades brasileiras como Pe. Fábio de Melo, Whindersson Nunes, Paula Fernandes, Pe. Marcelo Rossi e Selton Mello são alguns dos nomes que já sofreram com a doença.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), publicou uma nota falando sobre a importância da campanha. Leia na íntegra aqui.

A reportagem do PNotícias conversou com a psicóloga do Sistema Hapvida, Geane Santos, que falou mais sobre esse cenário. Geane explicou que as causas mais comuns do suicídio são “depressão, ansiedade, abusos (físicos, psicológicos, sexuais), morte na família (por suicídio ou doença), problemas financeiros, automutilação”. Contudo, ela ressaltou: “É importante salientar que esses fatores são possíveis, mas não determinantes”.

Ao ser questionada sobre os sintomas das doenças, ela disse: “Os sintomas mais comuns para depressão são tristeza persistente, baixa auto-estima, mudança de apetite (para mais ou para menos), levando para um ganho ou perda significativa de peso, excesso ou escassez (insônia) de sono, cansaço ou fadiga. Já nos casos de ansiedade, os sintomas mais evidentes são aceleração cardíaca, sensação de falta de ar e respiração rápida, inquietação ou irritabilidade, falta de concentração, pensamentos acelerados ou indesejados, ataques de pânico, boca seca, medo, náusea”. Sobre o tratamento da doença, a psicóloga afirma que “pode ser terapêutico e/ou medicamentoso. No entanto, não podemos determinar como será, pelo fato de cada caso ter sua particularidade”.

Falando sobre casos de famosos que são acometidos pela doença, Geane explicou que a exposição pode ser um fator determinante para o desencadeamento da doença. “O fato de ser famoso não significa estar distante dessa realidade. A pressão por ser uma celebridade e estar sempre preso aos holofotes - julgado por tudo que faz e diz, pode sim ser o desencadeante de possíveis sintomas de depressão e ansiedade, principalmente para aqueles que já apresentam uma predisposição”, explicou.

As redes sociais também podem influenciar no surgimento desse problema. A superexposição, que vem atrelada a Era Digital, pode agravar a situação de pessoas que lutam contra essas doenças. 

“As redes sociais são sempre repletas de pessoas felizes e bem resolvidas, o que pode estimular de forma negativa aqueles que já apresentam um humor mais triste. Ao mesmo tempo, para aqueles que estão sempre em evidência, a necessidade de se apresentar sempre feliz também é um sofrimento por não poder demonstrar seu real sentimento”, pontuou Geane.

A psicóloga ainda aconselhou as pessoas que, porventura, estejam passando por essa situação ou conheça alguém que sofre de alguma dessas doenças. Ela falou: “Buscar ajuda profissional é o primeiro passo. Principalmente para identificarmos em que nível está esse mal estar, seja ele para a depressão, ansiedade ou até mesmo um desejo suicida”. E, por fim, alertou: “Falar sobre depressão, suicídio, ansiedade ou qualquer outro transtorno mental é sempre um assunto que não terá seu conteúdo elucidado. Minimizar a doença é considerar que essas pessoas não estejam em sofrimento, permitindo que a patologia tenha ação silenciosa em nossa sociedade”. 

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