Política

Bolsonaro declarou que não vê taxação do aço pelo EUA como retaliação

02 de Dezembro de 2019 às 16h15 - Por: Redação PNotícias Foto: Reprodução
[Bolsonaro declarou que não vê taxação do aço pelo EUA como retaliação]

Trump diz que baixa de moeda no Brasil e Argentina afetam agricultores norte americanos

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta segunda-feira, (2), que, "se for o caso", entrará em contato o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito da restauração de tarifas sobre a importação, pelos EUA, de aço e alumínio de Brasil e Argentina. Para Bolsonaro, a medida divulgada pelo presidente norte-americano não é "retaliação".

 

Depois a fala de Bolsonaro, os ministérios das Relações Exteriores, Economia e Agricultura também se posicionaram por meio de nota. No documento diz que "o governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA". continua "já está em contato com interlocutores em Washington sobre o tema."

Nesta segunda, Trump comunicou, em uma rede social, que a baixa das moedas do Brasil e Argentina afetam agricultores norte-americanos. Por isso, vai restaurar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio dos dois países.

 

"Brasil e Argentina têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas. O que não é bom para nossos agricultores", disse Donald Trump. "Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todo o aço e alumínio enviados para os EUA a partir desses países".

 

Na sexta-feira, o dólar fechou a R$ 4,2397, em alta de 0,57%, acumulando em alta de 5,73% no mês de novembro. No ano, tem valorização de 9,43% frente ao real.

 

Segundo o presidente dos EUA, "o Federal Reserve [banco central dos EUA] precisaria agir da mesma forma, para que países, que são muitos, não tirem vantagens mais do nosso dólar forte, desvalorizando ainda mais suas moedas". De acordo com ele, "isso torna muito difícil para nossos fabricantes e agricultores exportarem seus produtos de maneira justa".

 

Após a manifestação do presidente dos EUA, Jair Bolsonaro foi perguntado sobre o assunto ao sair do Palácio da Alvorada, onde costuma conversar com apoiadores e jornalistas.

 

Bolsonaro declarou que conversará com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre as tarifas norte-americanas. O presidente comentou ter um "canal aberto" com Trump, que poderá ser usado nesse caso.

 

"Vou falar com o Guedes hoje. Alumínio? Vou falar com o Paulo Guedes agora. Vou conversar com o Paulo Guedes. Se for o caso, ligo para o Trump. Eu tenho um canal aberto com ele", informou.

 

Questionado se é possível reverter a declaração de Trump, Bolsonaro enfatizou mais uma vez que falará primeiro com Guedes. "Converso com o Paulo Guedes e depois dou uma resposta, para não ter que recuar", disse.

 

Logo após, durante entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, no Palácio do Planalto, Bolsonaro disse primeiro que o anúncio de Trump é "munição para pessoal opositor meu aqui no Brasil" e em seguida que que não entende a medida como "retaliação".

 

“Primeiro é munição para pessoal opositor meu aqui no Brasil, né? Vou conversar com o Paulo Guedes hoje ainda. Se for o caso, vou ligar para o presidente Donald Trump. A economia deles não se compara com a nossa, é dezena de vezes maior do que a nossa. Não vejo isso como retaliação. Vou conversar com ele para ver se não nos penaliza com a sobretaxa no preço do alumínio", afirmou.

 

Jair Bolsonaro disse esperar que Trump não "penalize" o Brasil. "A alegação dele, no Twitter dele, é a questão das commodities. A nossa economia basicamente vem dos commodities. É o que nós temos e espero que tenha o entendimento dele que não nos penalize no tocante a isso. E tenho certeza, tenho quase certeza que ele vai nos atender", informou.

 

Ao estar presente no evento desta manhã de segunda-feira Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o vice-presidente Hamilton Mourão também mencionou a decisão de Trump.

 

"Hoje mesmo tivemos no começo da manhã o presidente Trump dizendo que irá aumentar as tarifas de aço e alumínio de Brasil e Argentina porque estamos desvalorizando artificialmente nossas moedas. Não é isso que está acontecendo. Isso é característica desta tensão geopolítica que está acontecendo, que gera protecionismo", declarou.

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