Entrevistas

Prefeita de Itaparica afirma que divergência política com prefeito de Vera Cruz tem dificultado medidas contra Covid-19 na ilha

22 de Junho de 2020 às 12h18 - Por: Redação PNotícias Foto: Reprodução | Instagram
[Prefeita de Itaparica afirma que divergência política com prefeito de Vera Cruz tem dificultado medidas contra Covid-19 na ilha]

Marlylda Barbuda (PDT) participou de entrevista no programa PNotícias da Piatã FM na manhã desta segunda-feira (22)

O aumento do fluxo de usuários do sistema ferry-boat nos últimos dias tem preocupado a prefeita de Itaparica, Marlylda Barbuda (PDT), que participou de entrevista no programa PNotícias da Piatã FM na manhã desta segunda-feira (22). A fim de conter a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a gestora decidiu implantar barreiras sanitárias nas duas principais estradas de acesso ao município. Apesar disso, ela destaca as dificuldades no controle de acesso de não-moradores à cidade, uma vez que esta abriga o terminal de Bom Despacho, utilizado no embarque e desembarque do sistema de embarcações. “Não é hora de passear”, orienta. Marlylda conta ainda que o prefeito de Vera Cruz, Marcos Vinicius (PMDB) não estaria colaborando com as suas tentativas de controlar a entrada nos municípios através dos desembarques do sistema ferry-boat. “Encaminhei um ofício e ele, lamentavelmente, não assinou”, disparou a prefeita. 

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Dinho Junior: diante dos 58 casos confirmados de coronavírus e 3 óbitos em Itaparica, quais são as medidas que estão sendo adotadas pra conter esse avanço?
Marlylda Barbuda:
eu quero dizer a todos vocês que nós temos 58 casos mas há dois dias permanecemos com o mesmo número. É importante identificar uma diferença interessante nesse boletim. Nós temos 58 casos confirmados mas 34 destes são de testes rápidos. Nas nossas medidas, a gente avalia isso também. Quando nós identificamos uma pessoa que está infectada, nós realizamos uma busca ativa dos contactantes dessa pessoa pra avaliar e verificar o estado de saúde e tomar as medidas necessárias orientando na questão da necessidade, mais ainda, do isolamento social. Então nós estamos nas casas, avaliando. Não é qualquer pessoa que é avaliada, nós temos o público certo, a exemplo dos agentes de limpeza pública, nós testamos todos porque estão nas ruas. Nós testamos todos os funcionários da infraestrutura porque também no efetivo trabalho, além da Polícia Militar, além da Polícia Rodoviária, além de todos os funcionários da saúde, todos. 

Dinho Junior: a senhora acha que a Internacional Travessias tem alguma responsabilidade nessa grande quantidade de pessoas que têm feito essa travessia para a ilha de Itaparica, mesmo não sendo moradores da cidade? 
Marlylda Barbuda:
não sou a favor da suspensão do sistema ferry-boat, do ato de transladar passageiros, em especial de Itaparica para Salvador porque nós temos pacientes que possuem doença crônica. Nós temos pacientes que fazem hemodiálise em Salvador, que fazem quimioterapia, radioterapia. Essa assistência em saúde de alta complexidade nós não prestamos na região da ilha, então isso é uma coisa importante pra ser sinalizada e eu sinalizo isso desde o início. Quem faz a legislação, que organiza o sistema ferry-boat é a Agerba através da Secretaria de Infraestrutura do Estado. Então nós mantemos contato o tempo todo com o superintendente e desde o início, a nossa preocupação sempre foi a mesma na ausência da consciência das pessoas de desejar estar na ilha neste momento. 

Dinho Junior: a senhora acredita que a Internacional Travessias não poderia manter isso acontecendo, mas com um controle maior, através de comprovação de residência ou alguma outra forma de prevenção?
Marlylda Barbuda:
acredito. Essa é a nossa solicitação junto com o governo do estado. Estamos aguardando o retorno de um ofício que nós fizemos, mas eu quero dizer que a Agerba desde o início deu muita atenção a essa situação e inicialmente reduziu a capacidade do ferry-boat em 50%. Mas a falta de fato é a consciência de cada cidadão. Não é hora de passear, não é porque nós estamos com as aulas suspensas que a gente tem que ficar pra lá e pra cá com os nossos filhos, com mochila nas costas, levando e trazendo roupas e equipamentos como a gente vê no final de semana. O ferry-boat no final de semana não está funcionando, isso é uma preocupação intensa que a gente tem porque se uma pessoa precisa ser conduzida pra Salvador, que oferta tratamentos em Saúde que nós não temos na ilha, ela tem que vir por terra e a viagem é mais longa e mais problemática. Então a gente sabe, a gente sente em Itaparica o que é ter o ferry-boat com as suas atividades suspensas. Nós encaminhamos um ofício para o prefeito de Salvador, ACM Neto onde solicitávamos a montagem de uma barreira sanitária em um diálogo mais próximo com as prefeituras, em especial com as Secretarias de Saúde dos municípios para que fosse informado o estado de saúde daquele passageiro que está ali fazendo esse movimento de ir e vir. Estamos aguardando a manifestação do prefeito de Salvador porque eu penso que quando chega na ilha já não tem mais o que fazer. A gente precisaria de fato montar essa barreira sanitária no terminal de São Joaquim que é território Salvador. Stela tem dialogado com o secretário municipal de Saúde Leo Prates e este, por sua vez, disse que dialogaria com a sua Agerba pra que essa barreira sanitária fosse montada em São Joaquim e a gente tivesse aí a possibilidade de identificar pessoas com algum tipo de sintoma, em especial com febre. 

Dinho Junior: essa entrada em Itaparica acaba interferindo em Vera Cruz?
Marlylda Barbuda:
gente sabe que tem gente que não está vindo só para a ilha. A minha percepção, a sensação que eu tenho é que por mais que o governador tenha antecipado o feriado de São João, as pessoas não compreenderam que no dia 24, apesar de ser dia de São João, não é um feriado estadual. Então havia com certeza naquela fila muita gente descendo pra região do recôncavo, para os municípios do recôncavo. Quando o prefeito de Vera Cruz sinaliza que a responsabilidade da entrada é nossa, de fato o sistema ferry-boat, o desembarque dos passageiros e dos veículos acontece no nosso território, mas eu acredito que aquilo que a gente pode fazer no nosso município, a gente tem feito. Com relação à região de Bom Despacho, na semana passada nós fizemos um decreto específico protegendo a saúde coletiva dos moradores daquela região, mas é importante dizer que lá tem a comunidade de Gameleira e a gente tem noticias de que tem muitos cssosnpor lá. Gameleira já não pertence a Itaparica, Gameleira é jurisdição de Vera Cruz. Eu encaminhei um ofício e lamentavelmente o prefeito de Vera Cruz não assinou. Solicitei que de forma conjunta a gente solicitasse da Agerba essa medida que eu falei da barreira sanitária em São Joaquim. 

Dinho Junior: qual a senhora acredita ser o motivo do prefeito Marcos Vinicius não ter assinado o ofício ainda? 
Marlylda Barbuda:
não sei. A gente tem uma discussão divergente política. Lamentavelmente a gente tem tentado diálogo com o prefeito, ele vive dizendo que tenta diálogo comigo e eu estou de portas escancaradas para o município de Vera Cruz, para o prefeito de Vera Cruz, pra gente tomar medidas de proteção da saúde coletiva de toda região da ilha. 

Dinho Junior: essa divergência política pode estar causando essa eficiência no processo?
Marlylda Barbuda:
eu acho que dificulta. E eu quero dizer a todos que estão me ouvindo que Itaparica não se opõe em nenhum momento. A única situação que a gente tomou medida de não fazer implantação foi no túnel de desinfecção. A gente avaliou e eu fiquei aguardando manifestação da Anvisa para instalação de um túnel de desinfecção no sistema ferry-boat, na região de Bom Despacho. Mas a gente a aprofundou no conteúdo, verificou e depois houve manifestação Anvisa e da própria Sesab orientando pra que as pessoas não fossem colocadas em contato com esse material de desinfecção. Que eles seriam disponibilizados em hospital por meio das pessoas que estivessem paramentadas, com roupas de proteção individual. Nós não fizemos isso e foi obtejo das negativas do prefeito de Vera Cruz. Estamos abertos, a gente tenta aí contato o tempo todo, teve um preposto da prefeitura que ficou por volta de uma hora a frente da casa do prefeito, aguardando pra que ele assinasse esse ofício porque, na minha forma de entender, é em Salvador que a gente deve restringir. Essa é a questão do sistema ferry-boat. Falei com o governador, inclusive, sobre isso, ele disse que ia tomar medidas, que ia fazer uma avaliação, pedir interferência do ex-prefeito de Itaparica. Então as medidas nós estamos tomando. Itaparica possui, neste momento, duas barreiras sanitárias nas duas principais entradas que dão acesso à cidade. Sei que a dificuldade de Vera Cruz é muito maior com relação a esse controle porque tem muito mais comunidades à margem das vias que liga aos municípios do recôncavo. Mas com relação a Itaparica, a nossa preocupação é o terminal de Bom Despacho.

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