Entrevistas

Leo Prates fala sobre paralisação dos médicos, migração para o PDT e convite para integrar a base de Rui Costa

13 de Novembro de 2019 às 11h03 - Por: Rafael Albuquerque e Gomes Nascimento Foto: PNotícias
[Leo Prates fala sobre paralisação dos médicos, migração para o PDT e convite para integrar a base de Rui Costa]

Secretário municipal de Saúde concedeu entrevista ao programa PNotícias, que vai ao ar de segunda a sexta na Piatã FM

Secretário de Saúde de Salvador há apenas 120 dias, Leo Prates tem encarado diversos desafios à frente da pasta. O ex-presidente da Câmara e deputado eleito, agora tenta resolver um impasse entre médicos e as organizações que prestam serviço à prefeitura. Em entrevista ao programa PNotícias, comandado por Gomes Nascimento e Rafael Albuquerque de segunda a sexta, na Piatã FM, o secretário admitiu que há uma paralisação parcial dos atendimentos, mas explicou que está tomando atitudes para resolver e salientou que não há prejuízos para a população. Leo também falou sobre política e sucessão municipal. Respondeu sobre a suposta negativa para migrar para o PDT e ficou desconsertado quando questionado se recebeu convites para integrar a base do governador Rui Costa. Confira a entrevista abaixo:

PNotícias: médicos que prestam serviço para a prefeitura reclamam de atraso nos salários. O que está acontecendo?
Leo Prates:
nós temos um fluxo de caixa muito bom, e esse é o maior legado do prefeito ACM Neto. O que tá acontecendo é que contratualmente a secretaria está cumprindo todos os prazos de pagamento. A relação entre a organização social e seus profissionais é da organização social, até porque é um contrato de prestação de serviços. Não é o pagamento simples, tem que verificar se a pessoa prestou mesmo o serviço, verificar as notas, fazer a fiscalização. Temos que seguir os padrões de fiscalização da Controladoria Geral da União. O contrato me dá 90 dias para pagar, e eu pago com 30. Vou te dar um exemplo: no final do mês eu pedi pra levantar quais unidades apresentaram a nota de outubro. Terminou outubro, estamos em 13 de novembro. Essa nota era pra ter sido apresentada até 5 de novembro para que eu pagasse 5 de dezembro. Esse seria o fluxo normal. Das 16, apenas 3 apresentaram as notas. Esse é um processo de cuidado com o dinheiro do povo, ou seja, se não comprovou que prestou o serviço, não recebe. A organização social tem obrigação de manter o funcionamento por até 90 dias, que meu prazo para pagamento, mas eu pago com 30 dias.

PNotícias: quais providências estão sendo tomadas para resolver a situação?
Leo Prates:
nós enfrentamos o problema de frente. Se nós estamos cumprindo o contrato, as organizações sociais estão suscetíveis às penalidades previstas no contrato, e nós intensificamos a fiscalização para intensificação dessas penalidades. Doutor Ivan Paiva, que é médico, está fiscalizando a atuação dessa restrição dentro do código de conduta médica para eventuais excessos serem encaminhados ao Conselho Regional de Medicina. Estamos fazendo um novo modelo onde todas as licitações serão findadas até dezembro. Então, nós estamos corrigindo e vamos dar a resposta à população. Estamos correndo com o processo de pagamento e cobrando responsabilidade das organizações sociais e dos médicos. Do ponto de vista da Secretaria não há atraso, então a gente tem que partir pra cima e é isso que eu tenho feito. 

PNotícias: qual o prejuízo para a população?
Leo Prates:
a grosso modo não tem prejuízo. Estou tentando resolver o problema a curto prazo, com a fiscalização. Vamos tomar as medidas cabíveis, pois estamos com os contratos em dia. Estamos correndo para antecipar os pagamentos e estamos relicitando tudo pra que o fluxo seja invertido. 

PNotícias: todos os contratos vão ser extintos esse ano?
Leo Prates:
todos, inclusive sob determinação da CGU. 

PNotícias: o senhor assumiu a SMS após uma operação da CGU e PF. Qual o resultado dessa operação e de que forma o senhor analisa essa investigação?
Leo Prates:
quando eu cheguei fui me debruçar sobre essa auditoria. Minha primeira atitude foi me apresentar ao delegado Daniel Madruga, que é o superintendente da PF aqui. E volto a dizer que foi voluntariamente. Havia contratos feitos por terceirização e que devem mudar para contratos no modelo de gestão. Estou de acordo com a CGU, mas só não acho que havia a necessidade daquilo, porque nós poderíamos facilmente sanar o problema, como estamos sanando. Ampliamos a fiscalização, mudamos o modelo. Pra contratação de médico como Pessoa Jurídica, a organização social deverá pedir autorização à Secretaria. Isso é para nós, caso seja necessário, descontar o patronal do valor dos contratos. Outra coisa, nós uniformizamos a política de incentivos municipais. As tabelas de incentivo são um aporte que o município tem que colocar para que as pessoas tenham acesso ao atendimento que deveria ser do SUS. Um exemplo: na cirurgia de joelho, que é um grande problema, sabe quanto o SUS paga pra o município executar? R$1.700. Não tem prestador pra fazer isso. Você sabe o que o município faz? Não fica procurando culpados nem desculpas e coloca R$ 7.200 em cima pra pagar ao prestador pra fazer a cirurgia. Outro exemplo: o remédio pra evitar trombose em mulheres grávidas o SUS não prescreve e não é obrigação do município, mas nós compramos. Cada vez mais está se colocando o peso sobre os municípios. Vou dar outro exemplo: se você é atendido de graça no Hospital Santa Izabel, pelo SUS, o contrato é da prefeitura de Salvador. Eu já pedi até a assessoria pra fazer uma placa e colocar lá dizendo: ‘aqui tem prefeitura de Salvador’. 

PNotícias: qual o orçamento da SMS?
Leo Prates:
hoje nosso orçamento é de R$ 1,75 bilhão. Você sabe quando disso é orçamento exclusivo da prefeitura municipal de Salvaodr? 56% são recursos próprios. A prefeitura só é obrigada a investir 15% do que arrecada na saúde. A prefeitura vai colocar 20,22%. Se você levar em conta os empréstimos, que não entram pra contabilidade desse índice, vamos pra o valor histórico de 23%. 

PNotícias: após a operação da CGU e PF, algumas entidades que prestavam serviço em UPAs foram substituídas.
Leo Prates:
algumas foram trocadas e fizemos outros contratos de maneira emergencial porque foram denúncias graves.
PNotícias: mas essas empresas poderão participar das licitações do ano que vem?
Leo Prates: as que foram retiradas, não. 

PNotícias: quantas empresas foram retiradas?
Léo Prates:
acredito que duas. Lembrando que a operação foi oriunda do interior do estado e depois acabou descambando nessas empresas em Salvador. Não foi algo direcionado à prefeitura de Salvador. 

PNotícias: Leo, você se se sente apto e com bagagem suficiente pra ser prefeito de Salvador? 
Leo Prates:
eu sou engenheiro eletrônico de formação e fiz pós em administração de empresas. Então, acho que do ponto de vista acadêmico eu me sinto muito bem pra ocupar qualquer cargo da administração pública, e agradeço as oportunidades dadas pelo prefeito. E em relação ao currículo, eu fui vereador dessa cidade. Conheço cada canto. Antes de ser vereador eu fui assessor do então deputado federal ACM Neto. Escolhi a política por vocação e não por falta de opção. Meu pai é engenheiro, eu tinha opção de ser engenheiro. Mas pra tristeza eu vim pra política, mas é o que eu tenho vocação, sou apaixonado pela vida pública. Depois de ser assessor fui vereador, fui presidente da Câmara. Fui secretário de Promoção Social, onde também tive um reconhecimento bom. Tenho boa relação com movimentos sociais, em especial com relação às pessoas em situação de rua. Tenho no meu coração o sonho de um dia ser prefeito de Salvador. Não precisa ser necessariamente em 2020, eu não tenho essa obsessão por cargo. 

PNotícias: o senhor acha que não necessariamente será em 2020 porque já há nomes despontado no cenário?
Leo Prates:
não, eu tenho três nortes na minha vida, no meu caminhar. O primeiro é Deus, o segundo é o povo e o terceiro é o prefeito ACM Neto, que me abriu as portas. Então, onde esses três nortes convergirem eu vou. Ficarei muito feliz se for o escolhido para ser candidato a prefeito no próximo ano, mas não ficarei triste se não for escolhido, se não for minha hora. Eu tenho muita tranquilidade com relação a isso, tenho muita firmeza do meu propósito, da minha vocação. Não é um cargo que vai me fazer trabalhar mais ou trabalhar menos pra ajudar a população de Salvador, que eu amo e que me deu metade da votação para eu chegar à Assembleia. Então, eu me sinto preparado. Acho que pelo meu currículo, inclusive esse que estou enfrentando, já enfrentei desafios suficientes para ocupar o cargo público. Mas uma candidatura a prefeito não é uma decisão individual, isolada. Eu faço parte de um grupo político e a decisão tem que partido do grupo. Agora, o que posso dizer é que a decisão está nas mãos da população. Se a população começar a levantar a voz e dizer ‘nós queremos Léo Prates’, o candidato vai ser Léo Prates. O prefeito não foi candidato a governador, inclusive, porque ele escutou o desejo da população de Salvador para que continuasse o belo trabalho que veio desenvolvendo pra o povo.

PNotícias: mas o senhor e Neto não tocaram nesse assunto?
Léo Prates
: tocamos mais lá atrás. Ele me disse que precisaria de opções disponíveis e de confiança do grupo político e foi isso que me trouxe para a secretaria de Promoção Social. De lá pra cá a única coisa em que eu tenho me debruçado foi ser um bom secretário de Promoção Social. Aliás, eu acabei gostando mais do executivo. Mas política não se faz só, e quem pensa assim está fadado ao fracasso. A decisão que meu grupo político tomar será acatada por mim com toda humildade. E a pessoa que for escolhida terá meu entusiasmo como se a campanha fosse minha.  

PNotícias: Leo, agora abra o coração e revele o motivo que fez o senhor desistir de ir pra o PDT? Houve convite?
Leo Prates:
não houve nenhuma desistência. O PDT é um partido que admiro. O Ciro Gomes me recebeu com um carinho e com uma atenção na casa dele, no Ceará, que eu serei eternamente grato a ele. Além disso, encontrei um amigo que é o presidente do PDT Carlos Lupi. Tem sido meu conselheiro nessa jornada. Nós estamos conversando, agora onde isso vai nos levar... Eu costumo dizer que sou engenheiro e gosto de construir pontes. Eu gosto da possibilidade de dialogar, eu não acredito nessa política feita com ódio, com desrespeito, com falta de educação.

PNotícias: mas o senhor acha que essa ponte [com o PDT] o manteria no grupo de ACM Neto?
Leo Prates:
eu volto a dizer que tenho três nortes em minha vida: Deus, o povo de Salvador e o prefeito ACM Neto. Desses três não me afastarei, seja qual for o caminho ou a ponte que eu seguir. Esses são os nortes de construção de minha vida. Tem um ditado que fala que a ‘a medida do caráter de um homem é a gratidão’, e nesse coração aqui não falta gratidão a todos esses três. 
PNotícias: então, o senhor só vai pro PDT com o aval de Neto?
Leo Prates: aí você tem que perguntar a ele, não a mim (risos). 

PNotícias: secretário, a saída de Lula da carceragem da Polícia Federal deve interferir nas eleições municipais ano que vem?
Leo Prates:
primeiro, eu tenho um profundo respeito pelo presidente Lula. Não estou discutindo o processo que ele responde, mas o olhar que ele teve sobre o Nordeste. Agora, acho que não interfere, porque em 2012, quando vencemos pela primeira vez a eleição, Lula estava solto e veio duas vezes aqui. Dilma também veio. Eu queria até dar uma opinião pública pela primeira vez: eu sou contra unificação das eleições, porque você vai apagar as eleições para governador e presidente. A dinâmica mais importante é a municipal, e é isso que o povo vai levar em consideração. 

PNotícias: então o PT em Salvador não vai se beneficiar da presença de Lula.
Leo Prates:
eu não sou vidente, estou avaliando o cenário. Tivemos cenário com Lula participando mais ativamente das eleições, muito mais forte eleitoralmente. Então, acredito que a dinâmica municipal é diferente. Nem o nacional e nem o estadual terá interferência. Não estou dizendo, com isso, que o governador não terá ingerência na colocação dos seus candidatos, e não me cabe fazer essa análise. O que estou dizendo é que o eleitor levará em consideração as propostas e projetos

PNotícias: o senhor já recebeu algum convite para ir para a base do governador Rui Costa?
Leo Prates:
tá me apertando sem me abraçar (risos). Essa pergunta você faz para a base de Rui. O que eu posso dizer é que eu tenho meu lado e meu lado é o do prefeito ACM Neto. 

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