Política

Prefeito de Camaçari faz cobranças a Rui Costa e pede atitude para conter Covid-19: “Tem que assumir a responsabilidade”

03 de Julho de 2020 às 11h37 - Por: Redação PNotícias Foto: Reprodução | Instagram
[Prefeito de Camaçari faz cobranças a Rui Costa e pede atitude para conter Covid-19: “Tem que assumir a responsabilidade”]

Antonio Elinaldo cobra do governador uma centralização das ações de combate à doença: “Cada município faz o que quer”

As medidas de combate ao novo coronavírus (Covid-19) vêm sendo um dos assuntos mais discutidos entre os políticos baianos. Durante entrevista ao PNotícias na manhã desta sexta-feira (3), o prefeito de Camaçari, Antonio Elinaldo (DEM), fez cobranças a Rui Costa (PT) e pediu mais atitude do governador no que diz respeito aos planos de ação para conter a doença no estado: “Tem que assumir a responsabilidade”, afirmou. Para Elinaldo, as ações de combate ao vírus não são centralizadas e “cada município faz o que quer”. 

O prefeito falou sobre o atual panorama da Covid-19 na cidade que já registra 1.569 casos confirmados da doença e 43 óbitos, conforme aponta o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde nesta quinta-feira (2). 

“Aqui nós estamos atentos. Camaçari já está há mais de 100 dias com o comércio fechado, com as aulas suspensas, cancelamos o Festival de Arembepe, o Camaforró. Estamos aqui fazendo uma propaganda educativa pra que as pessoas não saiam de casa, se mantenham no isolamento, se sair, usar máscara e sempre que possível, estar se higienizando porque esse é o caminho e o remédio no momento contra o coronavírus. Os casos estão avançando na Região Metropolitana. Hoje a Bahia está com 80% dos seus leitos ocupados, então precisa que o governador faça um protocolo único para acalmar o comércio na retomada da economia”, explica. 

Para Elinaldo, cada município está fazendo o que acha que deve, sem seguir as orientações técnicas: “Não adianta Camaçari fazer sua parte e outro não fazer”, aponta. 

De forma incisiva, o prefeito cobrou posicionamento do governador Rui Costa e pediu que ele assuma o controle da situação: “Eu vi prefeito ficando zerado, alguns perdendo a paciência, assim como o prefeito de Itabuna. Isso complica porque Camaçari mesmo faz fronteira com Dias D’Ávila, com Simões Filho, com Lauro de Freitas, então se não houver um consenso, um alinhamento único, não adianta Camaçari fazer sua parte e outro não fazer e vice-versa. Então precisa de um protocolo geral da Bahia, como aconteceu em São Paulo, tanto sanitário, quanto de retomada da economia”, destacou. 

Além disso, Antonio Elinaldo falou sobre a sua interpretação da fala do prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, que garantiu que o comércio do município iria reabrir “morra quem morrer”: “O sentimento é de preocupação, o prefeito lá está no seu 5º mandato, cada município tem o seu tipo de pressão, eu aqui sou prefeito e sei que a coisa não é fácil. Eu não concordo como foram colocadas as coisas, mas é uma obrigação que está chegando ao nível que aqui a Bahia tem que acontecer o que está acontecendo em outros estados”, disse. 

O prefeito acredita que Rui Costa precisa que o governador lidere o controle da doença e que essa seria uma forma de estabelecer protocolo sanitário, além do protocolo da economia, que só deve ser implantado, segundo ele, quando o controle da curva for alcançado.

Ainda segundo o gestor municipal, alguns municípios vêm tomando as próprias decisões, o que gera a necessidade da existência de um protocolo único a ser seguido e que este, inclusive, seria de responsabilidade do governo do estado: “O governo do estado é quem deveria estar tomando todas as medidas de todos os municípios”, afirmou. 

“O governo é majoritário perante os 417 municípios. Enquanto o governador não criar um protocolo único, vai ficar um município fazendo uma coisa e outros fazendo outra. Eu tenho aqui parabenizado o governador por todas as ações, todo o esforço que ele tem feito no combate ao coronavírus com orientação. Ele tem orientado, mas chega uma hora que ele tem que determinar quem está orientando porque tem município que não está acatando. Hoje a Bahia está capaz de entrar em colapso. Nós temos que nos unir para que diminua a curva e caminhe o isolamento. Vamos fazer um esforço de 15 dias, de 30 dias, mas não pode ser só Camaçari, só Salvador”, continuou. 


Para Elinaldo, Rui Costa estaria sendo omisso em relação à unificação das medidas de combate ao coronavírus no estado: “Ele é um estatística, um democrata, tem tratado o prefeito de Camaçari muito bem, tem dialogado, tem orientado e eu tô seguindo toda orientação dele. Mas queira ou não, tem município que não está seguindo aquilo que orienta o estado. Mas a coisa está se agravando, a Bahia pode entrar em colapso”, sinaliza. “Alguns prefeitos às vezes não segura a pressão, cede, e aí dá no que dá. Um município sofre com a atitude de outro prefeito”, completou. 

O prefeito falou ainda sobre sua relação com os comerciantes e empresários de Camaçari, que vêm sendo diretamente atingidos pela crise decorrente da doença: “Eu também sou feirante, sou comerciante e o comércio vive do dia a dia. Então não é uma situação fácil, mas eu tenho me colocado para os comerciantes. Tomamos uma decisão em conjunto com todas as associações, com o Ministério Publico, Polícia Civil, de do dia 1º a 16 de julho o comércio continuar fechado. Sabendo que a economia é importante mas a vida das pessoas está em primeiro lugar. Camaçari, mesmo sabendo que a obrigação é do estado, nós temos feito a nossa parte também”, conta. 

“Camaçari já tem mais de 100 dias com o comércio fechado e ninguém tem colaborado. Com esse novo decreto vai pra 100 dias. Nós também temos que ser responsáveis e temos que demonstrar para os comerciantes que nós estamos preocupados com a situação deles. E hoje eu sei que o caminho é que a Bahia precisa de um protocolo geral sanitário e um protocolo pra retomada da economia”, reiterou. 

Elinaldo garante que Camaçari já possui  um protocolo pronto de combate à Covid-19, mas que aguardando o governador Rui Costa para um diálogo. “A Bahia hoje tem 493 leitos de UTI, nós temos 417 de municípios, dividindo isso dá cerca de dois leitos por município. Aqui em Camaçari tem leito exclusivo pra cidade, temos 26 leitos”, conta. 

“Aqui em Camaçari nós dobramos o número de casos em uma semana. Mas não foi só Camaçari, foi Região Metropolitana. Hoje a Bahia está com 180 mil casos, só Salvador tem 35 mil casos, quase a metade que está em Salvador”, aponta. 

O prefeito também disse que vem dialogando com os gestoras de municípios próximos como Salvador, através do prefeito ACM Neto (DEM) e Lauro de Freitas, através da prefeita Moema Gramacho (PT): “O governador já tem feito varias reuniões com a gente, mas na medida de orientação. Chegou a hora agora de determinar para cada um fazer o que quer”, relatou. 

Antonio Elinaldo reforçou as cobranças a Rui Costa e afirmou que esse não é o momento para o governador apenas dar orientações, mas que este deveria “colocar o braço na seringa”: “Ele tem que assumir a responsabilidade, chamar os prefeitos e determinar que o protocolo sanitário é esse e que ele vai ter que ser cumprido”, concluiu. 

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