Entrevistas

Presidente da Abrape critica postura de gestores estaduais e municipais em relação ao setor de entretenimento durante pandemia

11 de Setembro de 2020 às 10h41 - Por: Redação PNotícias Foto: Reprodução // Lucas Moço
[Presidente da Abrape critica postura de gestores estaduais e municipais em relação ao setor de entretenimento durante pandemia ]

Doreni Caramori Junior, porém, diz que o governo federal apresentou propostas para auxiliar o setor neste momento

Empresário catarinense, sócio-diretor do Grupo ALL  e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), Doreni Caramori Junior falou sobre os impactos da pandemia no setor do entretenimento e criticou a postura dos governos estaduais e municipais diante das medidas de restrição que visam combater a disseminação do coronavírus. “O negócio chega a ser absurdo”, disparou Doreni sobre a postura dos gestores. As declarações foram dadas no programa PNotícias, da Piatã FM, na manhã desta sexta-feira (11).

Leia a entrevista na íntegra:

Dinho: como é que está o setor de eventos no atual estágio da pandemia do novo coronavirus? A gente já pode mensurar os impactos financeiros para essa categoria?

Doreni Caramori: cada dia os impactos financeiros são incrementados, mas não há dúvida de que a pandemia impactou de maneira brutal as atividades do nosso setor, seja nas atividades regulares, como também nas informais. O nosso setor emprega - empregava antes da pandemia - cerca de 2 milhões de trabalhadores diretos, mais 3 milhões informais e a gente acredita que pode ter sido a nível de quase 500 mil desempregados e, obviamente, que todos os informais paralisados. Isso porque não tendo atividades, eles não conseguem estar ligados ao mercado de eventos. 
Então, se é desemprego, é, obviamente, a redução do faturamento. Você tem uma grande maioria de empresas que hoje não conseguem faturar e, em decorrência disso, a saúde de todas as empresas estão debilitadas e algumas até sem condições de continuar. Então, o impacto é brutal. A redução de relevância de atividade e o impacto adicional que é a não existência de perspectiva de retomada. Nós estamos há seis meses paralisados e, obviamente, isso já é um impacto. Mas, impacta ainda mais a incerteza de quando e como a gente retorna. A gente tem trabalhado muito nessa direção porque não é só conter o impacto durando o período que a gente já ficou parado, é olhar pra frente e tentar encontrar uma perspectiva de retomada.

Dinho: de que forma a Abrape observa essas medidas restritivas que são colocadas em pauta por conta da pandemia, sobretudo, no que se refere a impossibilidade de realizar os eventos em datas importantes, como São João, Réveillon, Carnavaval, que movimenta muito dinheiro e muita gente?  

Doreni Caramori: a gente entende que é uma enorme irresponsabilidade do setor público quando se antecipa, muitas vezes em 6 meses, 8 meses, para informar a impossibilidade da realização de um evento que, na nossa opinião, até pelo princípio da liberdade econômica, muitas vezes nem depende do Estado. Às vezes, tem eminente relação privada. Você me dizer, por exemplo, que não vai ter Carnaval? O Carnaval é muito maior do que só o público, né?! Você tem eventos privados, você tem eventos sociais e, daqui a seis meses, é bem possível que possa ser realizados. Uma liderança pública se antecipar e dizer que não vai ter Carnaval, com oito meses de antecedência, seis meses de antecedência, é de extrema irresponsabilidade. Assim como é de extrema irresponsabilidade não ter coerência entre atividades que são muito parecidas, para não dizer iguais, e em umas poder fazer e outras não. Ninguém consegue me convencer de que se um shopping pode operar, mesmo com restrição, uma feira de negócios não pode. Se um culto pode operar, um teatro não pode. Se o governo não tem a capacidade de conter aglomerações em locais públicos porque um evento, com toda a possibilidade de controle que tem, não pode acontecer em nenhum tamanho? Hoje você não pode fazer um evento de 100 pessoas, 200, 500 e nem estamos falando aqui de eventos de 20 mil, de 30 mil [pessoas]. Estamos falando de eventos de porte menor. Como não pode? As praias estão cheias, as ruas estão cheias, o mercado de eventos clandestinos acontecem, o governo não tem a capacidade de controlar e, enquanto isso, as atividades regulares estão lá obrigatoriamente paradas e já é um dos poucos setores que estão sendo, vamos dizer assim, os únicos responsáveis, portando, pela contenção da pandemia, já que os demais setores já estão conseguindo operar. Então, é nesse sentido que nós temos trabalhado muito para conscientizar e já cobrar das autoridades posturas muito mais transparentes, coerentes e responsáveis com o nosso setor, até em respeito dessas milhares de famílias que não estão conseguindo trabalhar em função dessas medidas restritivas da pandemia.

Dinho: de um forma geral, o poder público tem sido receptivo às demandas das associações ou não? 

Doreni Caramori: eu acho que primeiro a gente precisa dividir em algumas esferas. Tem medidas de contenção aos impactos da crise, vamos dizer assim, mitigatórias dos impactos da crise, que aí há de se reconhecer que, especialmente, o governo federal encontrou algumas medidas de relevância. Como a Lei Aldir Blanc e a Medida Provisória 936, que depois virou Lei de Conversão da manutenção dos pontos de trabalho que, na minha opinião foi amplamente efetiva; as medidas de crédito, ainda que atrasadas, chegaram à conta; medidas tributárias, que serão sobrevida para algumas organizações. Ou seja, ha de se reconhecer isso, especialmente, em relação ao governo federal. Os governos estaduais e municipais muito ausentes nas medidas compensatórias. Você tem áreas de eventos pagando IPTU sem nenhum tipo de diferimento, sem nenhum tipo de compensação. Uma área parada pagando IPTU, pagando luz [mesmo] com demanda mínima, sem usar. O negócio chega a ser absurdo, mas houve, em alguns casos, principalmente no governo federal. Há de se reconhecer que houve um movimento - menos nos governos estaduais e municipais. Agora, na questão da retomada, aí sem dúvida uma incoerência muito grande dos entes governamentais, embora em alguns casos eles demonstrem que querem dialogar, mas é um diálogo ainda muito estéreo, muito frio, sem perspectiva real. “Você” tem pouquíssimos territórios que já se planejam. Note que o a gente pede não é apenas voltar semana que vem, não. O que a gente quer é ter um planejamento, um norte. Variáveis claras de quando e em que condições a gente pode voltar. Você vê que até outro dia, quando os números aumentavam, por óbvio, não se podia falar em retorno. Mas, o que a gente pedirá era: ‘quando a gente pode voltar?’. Agora nós já estamos, em alguns casos, há três, quatro semanas de números em redução e não tem a perspectiva de retorno ainda. Quer dizer, nós vamos esperar as mortes pararem para voltar?! Mas aí tem gente, infelizmente, que falece por H1N1, que é uma gripe completamente controlada, com vacina e etc e tal. Quer dizer, não tem como esperar zerar mortes por corona, infelizmente, que é um vírus e eventualmente vai continuar aí mesmo com a vacina. Então, não tem como esperar parar isso [mortes] para o setor retomar. A gente precisa conseguir conviver. Em que condições? Porque que os governos evitam discutir objetivamente, tecnicamente, já que falam tanto de ciência? Porque não discute tecnicamente a partir de qual condições a gente terá condições de voltar? A partir de quais variáveis?
E eu repito, o impacto na nossa indústria não é apenas do período parado. É, especialmente, da incerteza de não saber quando e como voltar. Isso está diretamente ligado a postura do setor público, especialmente, o municipal e estadual, nesse caso, porque houve a delegação da competência e é com eles que a gente precisa discutir a retomada.

Dinho: existem algumas alternativas apresentadas para o retorno da categoria, dos eventos? Já tem alguma coisa pensada por vocês para que a volta aconteça de uma forma segura?

Doreni Caramori: a gente já apresentou há três meses o protocolo validado, inclusive, por especialistas em infectologia e vários especialistas em segurança. O protocolo dá perfeita segurança ao poder público para a realização de eventos de maneira escalonada em quatro fases, iniciando por uma fase com números de restrições bem maiores, mas que já permite o retorno de algumas atividades. Essas restrições vão sendo afrouxadas guardando relação com as variáveis epidemiológicas, número de casos, número de recuperados e capacidade de UTI. Seja gente de maneira bastante empática, olha os números da epidemiologia e traça um paralelo entre esses números e as condições para que os eventos voltem. Há um diálogo, em cima desse protocolo, em alguns estados e algumas prefeituras, mas ainda muito pouca objetividade nas ações do setor público com relação a entender isso. Mas, há sim protocolos claros e condições objetivas de retorno e condições ligadas à questões epidemiológicas, que é muito importante. Portanto, completa responsabilidade do setor. Ninguém está aqui querendo comparar o setor de entretenimento às vidas. Pelo contrário, estamos querendo é, justamente, somar as vidas com a saúde do setor e das famílias que dependem do setor. Ou seja, isso não é uma exclusão de uma coisa ou outra, isso é uma soma. A gente quer as duas coisas. Mas, para ter as duas coisas há de se ter diálogo e responsabilidade do poder público em reconhecer que as decisões precisam ser tomadas e os planejamentos precisam existir e que, obviamente, o nosso papel é estar sempre no diálogo e propondo construtivamente, mas depende do setor público também.

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