Entrevistas

Presidente do CRMV-BA aprova decisão do governo em escolher veterinário para cargo no Ministério da Saúde

08 de Setembro de 2020 às 11h15 - Por: Redação PNotícias Foto: Reprodução
[Presidente do CRMV-BA aprova decisão do governo em escolher veterinário para cargo no Ministério da Saúde ]

Presidente, contudo, admite que decisão também tem viés político

Altair Santana Oliveira, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA), afirmou que não vê problemas em ter um médico veterinário assumindo o Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde – o que aconteceu com o presidente do CRMV-DF, o médico veterinário Laurício Monteiro Cruz. Altair, em entrevista ao programa PNotícias, da Piatã FM, na manhã desta terça-feira (8), ainda citou que outros veterinários já ocuparam o cargo. O presidente, porém, admite que decisão também tem viés político.

Leia a entrevista completa:

Dinho Junior: qual é o papel do veterinário na saúde pública?

Altair Santana: esse é o esforço que estamos tendo nesse mês em que comemoramos o aniversário do médico veterinário, em conversar com a sociedade para tentar esclarecer um pouco sobre o papel do médico veterinário na saúde pública. A gente costuma chamar hoje de saúde única, é o conceito de ‘One Health’, que é saúde única mesmo, onde a gente trata de forma indissociável, de forma inseparável a saúde do homem, do animal e do meio ambiente. Então, o médico veterinário, infelizmente, é sempre muito mais conhecido por ser um médico clínico de pequenos animais, como cão e gato, mas ele exerce mais de 80 especialidades. É uma profissão muito ampla e uma delas [especialidades] é a saúde pública. Porque o médico veterinário tem uma formação muito forte - tem epidemiologia animal, medicina preventiva, imunologia e uma série de ciências, de disciplinas da medicina que desembocam na saúde pública. 

Então, por exemplo, hoje o médico veterinário é responsável por cuidar das zoonoses – doenças que são transmitidas do animal para o homem e do homem para o animal. Para você ter uma ideia da importância, 62% das doenças que acometem o homem são as zoonoses e 75% de todas as doenças emergentes, ou seja, doenças que estão surgindo, também são as zoonoses, a exemplo da Covid-19, onde a teoria mais forte é que ela tenha chegado ao ser humano por hábitos alimentares dos chineses de se comer morcego.

Dinho Junior: algumas epidemias, através das zooneses, já aconteceram historicamente na vida do ser humano. De que forma um médico veterinário pode atuar no combate direto à Covid?

Altair Santana: o médico veterinário já está atuando. O Ministério da Saúde criou um programa para fazer um cadastramento de profissionais da área de saúde para o enfrentamento da Covid. Porque muitos profissionais da saúde estão morrendo com a Covid. No Brasil, mais de 240 médicos já faleceram de Covid-19. Então já temos médicos veterinários atuando diretamente no trabalho da Covid, principalmente dando treinamento de como vestir todo fardamento e como retirar esse fardamento depois. Então são várias áreas atuando. Além disso, o médico veterinário tem trabalho muito em pesquisa para desenvolver vacina para a Covid e não é a primeira vez. Os médicos veterinários já produziram muitas vacinas que são de uso da saúde humana, a exemplo da BCG, que é uma vacina que foi produzida por um médico veterinário. Então, os veterinários estão em laboratórios nesse momento trabalhando nessas pesquisas para produção de vacinas. Recentemente, um instituto Vital Brazil, um grupo de médicos veterinários conseguiram produzir um soro mais potente que existe hoje no mundo com anticorpos para tratar a Covid-19. Então, as pessoas que estão com a doença hoje já podem esse soro e ficar protegida logo. 

Porque a vacina precisa que as pessoas estejam saudáveis. Você aplica as vacinas nas pessoas saudáveis para elas produzirem os anticorpos e se protegerem contra o vírus. No caso do soro, ele já traz os anticorpos para as pessoas que já estão doentes. Então, é uma descoberta espetacular feita por médicos veterinários.

Dinho Junior: recentemente, um presidente do conselho regional de medicina veterinária lá do Distrito Federal, o médico veterinário Laurício Monteiro Cruz foi nomeado para assumir o departamento de imunização e doenças transmissíveis do Ministério da Saúde. Esse foi um assunto extremamente polêmico. Eu queria entender um pouco da sua opinião sobre isso, o que o senhor achou dessa nomeação?

Altair Santana: o Laurício Monteiro Cruz é presidente do conselho regional de medicina veterinária do DF, mas ele é mais do que isso. Ele tem 31 anos de experiência como funcionário da secretaria de saúde do DF e trabalhando exatamente na área de saúde pública, de controle de zoonoses, de doenças transmissíveis, trabalhando com campanhas de vacinação. Então, é um homem totalmente preparado para esse cargo. Além do mais, pra desmistificar um pouco, é bom saber que o profissional que estava dirigindo interinamente o departamento que ele agora assumiu, que é um departamento de imunização e doenças transmissíveis, era um médico veterinário. E em 2017 e 2018 também era um médico veterinário que chefiava esse departamento e este departamento conta com 14 médicos veterinários. O que o Laurício vai fazer é gestão pública. Ele não vai lá tratar de um ser humano, ele não vai porque esse é um papel do médico. O tratamento direto com o ser humano é feito por um médico. Mas, ele vai dotar esse médico, todos os médicos que estejam em secretarias municipais, atendendo pelo SUS, em secretarias estaduais, órgãos federais, em hospitais particulares, seja onde for, ele vai dotar - como é papel do governo federal - os equipamentos necessários. Ele vai estudar essa logística para o atendimento das necessidades dos médicos que estão atendendo as pessoas. Ele não vai cuidar diretamente da pessoa, ele terá um cuidado indireto, que é de grande valor. Ele vai fazer um trabalho de gestão e isso é importante entender. E quem vai fazer esse papel de gestão é um profissional altamente conhecedor de epidemiologia. 

Ele é um profissional perfeitamente apropriado para ocupar o cargo. Poderia ser um médico? Claro. Poderia ser um enfermeiro. Essa polêmica eu acho meio boba pelo seguinte, o ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais de saúde já foram ocupadas por profissionais que nem eram profissionais da saúde. Já tivemos ministro da saúde economista, advogado, atualmente temos um militar. Ele está fazendo um trabalho de gestão, um trabalho político dele. Então, ter um profissional da saúde e que entenda de epidemia é importante.

Dinho Junior: eu queria entender o porquê de tantos veterinários nesse departamento e porque, já que é algo comum, essa surpresa na divulgação desse departamento sendo comandado por um médico veterinário?

Altair Santana: isso é estranho, um profissional de lá de dentro estranhar que um médico veterinário vai ocupar o cargo de um departamento que já foi ocupado por vários outros veterinários. Isso é estranho.

O que eu não acho estranho é porque normalmente esses cargos são cargos que o governo quer pessoas ligadas ao partido. Pessoas que tenham afinidade com esse governo que está aí. Hoje quem comanda o país é o Jair Bolsonaro, ele quer pessoas ligadas a ele e está procurando o profissional adequado. Agora ele está colocando um chefe de departamento, que está bem abaixo de um ministro [da Saúde], porque é um cargo técnico. Não tem problema nenhum de ser ‘de fora’, porque esses cargos são cargos que também têm uma conotação política, embora técnico – precise que seja alguém técnico e que conheça da área – , mas é claro que tem uma ênfase política.

Dinho Junior: como o médico veterinário atua no setor alimentar? Como isso está totalmente ligado a essa campanha “O Médico Veterinário também Cuida de Você”? 

Altair Santana: os produtos que estão na mesa do consumidor, tanto no café da manhã, como no almoço e na janta, são responsabilidades do médico veterinário. Existe uma equipe, uma verdadeira tropa, neste momento, trabalhando em diversas indústrias – laticínios, matadouros frigoríficos, no setor de pescados, de mel, de ovos –, fazendo a fiscalização para garantir a qualidade e a inocuidade, que é o mais importante. Que o produto pode até ter um nível de bactérias, de germes, mas que esteja num nível tão baixo que não seja capaz de produzir uma doença no consumidor. Então o médico veterinário, quando trabalha garantindo a qualidade e a inocuidade do alimento que está na mesa do consumidor, está fazendo medicina da saúde pública, está fazendo medicina preventiva, ele está ajudando o médico e ajudando a evitar uma quantidade enorme de doenças e doentes chegando aos hospitais.

E não é só médico veterinário que trabalha no serviço de inspeção federal do ministério da Agricultura, ou no serviço de inspeção estadual nas secretarias de estado da Agricultura e nem nas secretarias municipais de Agricultura que fazem esse trabalho não. Tem médicos veterinários que são responsáveis técnicos contratados pela empresa e que fazem o controle de qualidade do produto. Então nós temos veterinários no setor público e no setor privado atuando juntos para evitar que o consumidor tenha qualquer problema de saúde. 

Então essa nova campanha que é “O Médico Veterinário Também Cuida de Você” é para alertar a população que esses veterinários atuam fortemente em saúde pública.

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